Ser
ou estar, eis a questão...
por
Mário Coroa
A venda porta-a-porta tem características peculiares
comparada a qualquer tipo de marketing praticado. No Brasil, existe uma variada
gama de marcas, cada uma com seu apelo mercadológico, para os mais variados
gostos. Entretanto, as empresas que atuam nesse segmento, podem ser
classificadas em duas categorias: as que são porta-a-porta e as que estão no
porta-a-porta.
Simplificando, as que são porta-a-porta, simbolizam empresas
que incorporam, mesmo que inconscientemente, a filosofia desse tipo de
marketing.
As que estão no porta-a-porta são aquelas cujo empresário
optou por esse segmento porque ouviu falar, ou leu em algum lugar, ou viu a
atuação de alguém dentro do sistema e concluiu, rapidamente, ser esse um bom
filão de mercado, capaz de gerar lucros. Muitos lucros. Basta o investimento em
produtos, uma boa mídia e uma equipe de vendas trabalhando exaustivamente para
engordar a conta bancária de sua empresa e obviamente a sua em particular.
Então qual é a diferença? Uma vez empreendedor, não serão
lucros e vantagens a meta de todos? Ora, como então funciona a filosofia
porta-a-porta?
Em sua essência, são empresas que, além de apresentarem
qualidade e diferenciais em seus produtos, capazes de atender as necessidades
de um público consumidor, impulsionam milhares de pessoas envolvidas na venda
propriamente dita, a oportunidade da concretização de seus sonhos pessoais, não
importando a dimensão deles, seja para pagar dívidas, comprar roupas para seus
filhos ou até mesmo a aquisição de um veículo ou casa própria. Enfim,
proporcionam àqueles que representam a mola propulsora de sua empresa, a
oportunidade de uma parceria. Não somente nos lucros, mas no reconhecimento
através de prêmios e até mesmo no abraço amigo de um de seus Diretores ou
Presidente.
Independente do porte, podemos encontrar esses exemplos
dentro de empresas bem-sucedidas, quando vemos, nada menos que o Presidente da
empresa vibrar com o desempenho de uma de suas revendedoras, através de um
abraço efusivo. Ou então, o acompanhamento estimulante de um trabalho
representado por determinação, garra e luta à frente do negócio.
Os executivos dessas empresas carregam dentro de si a
certeza de que o maior trabalho é aquele que não só reconhece e dá oportunidade
a milhares de pessoas, mas que também dignifica o ser humano, permitindo que
ele sonhe e realize esses mesmos sonhos, possibilitando sua galgada até o cume
da montanha com segurança, para assim mudar sua vida.
Nos últimos vinte anos, uma série de empresas malograram em
seu feito. Umas por falhas administrativas e uma grande parte, perfeitamente
visível, pela ausência da referida filosofia.
Concluindo, independente da onda neurolingüística que assola
nossos tempos ou análise transacional já praticada há algum tempo, a filosofia
porta-a-porta existe de tempos mais remotos.
O sucesso de uma empresa não consiste somente em seus
produtos, em seu design, qualidade ou preço e sim na forma como ele chega até
seus consumidores, não importando que seus representante sejam pejorativamente
chamados de sacoleiros, formiguinhas, etc.
Bastante motivados, eles, na realidade, têm consciência de
fazerem parte de uma empresa cuja finalidade primordial é promover seu
crescimento pessoal, profissional e financeiro, com o devido respaldo de
pessoas que são porta-a- porta.
Justamente por sua peculiaridade, conforme mencionamos
inicialmente, notamos que nos últimos anos surgiram várias empresas no segmento
porta-a- porta, pois a tendência do mercado é de crescimento acentuado,
oferecendo muitas lacunas a serem preenchidas por novos empreendedores.
Entretanto, lamentavelmente, podemos antever que algumas
dessas empresas terão vida útil somente durante três ou quatro anos, por mal
aproveitamento do espaço mercadológico. São pessoas que estão no porta-a-porta.
Aparentemente simples, a filosofia porta-a-porta está
intimamente ligada à índole de quem comanda.
A tônica? A grande virtude de ser humilde!
Mario Coroa é Diretor da MC Consultores Associados e
especialista em implantação e treinamento de empresas de Vendas Diretas.
OBS: Texto adaptado da edição Nº 20 (fevereiro de 1999), do
extinto Jornal Vendas Diretas & Marketing de Rede.
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