Relacionamentos
interpessoais
por
Denílson Braga
Em qualquer empreendimento, o sucesso depende de trabalho.
No entanto, vemos algumas pessoas trabalharem arduamente em suas oportunidades
de Marketing de Rede e, mesmo com um trabalho aparentemente correto, não
conseguirem alcançar o sucesso desejado.
Podemos, então, concluir que existem outros fatores, além do
trabalho, envolvidos na “fórmula de sucesso” do Marketing de Rede?
Acredito que sim. E chamarei um destes fatores de “Fator R”.
O que é o Fator R?
Além de dinheiro, o MLM é uma fonte inesgotável de
experiências emocionais. Ao longo deste negócio, você irá sentir raiva,
compaixão, melancolia, alegria, tristeza, euforia, amor, entusiasmo, surpresa,
esperança…
Ter consciência e controle de suas próprias emoções é
fundamental para o sucesso pessoal e empresarial (este é um conceito que tem
sido amplamente discutido com o nome de Inteligência Emocional). As emoções são
o tempero da nossa vida. Estamos sempre entre o racional e o emocional, em um
equilíbrio delicado ou, por vezes, inexistente.
Além de nossas próprias emoções temos que desenvolver a
capacidade de lidar e compreender as emoções de outros. Precisamos criar um
entrosamento, ser entendido pelos outros e desenvolver a capacidade de
entendê-los; ou seja: precisamos nos relacionar.
Os negócios, como em tudo na vida, são atividades sociais.
Um vendedor, por exemplo, não consegue efetuar uma venda sozinho. Alguém tem
que comprar o que ele quer vender.
Creio que você concorde que o Marketing de Rede é um negócio
em que, ainda mais que nos outros, os relacionamentos são fundamentais. Então
vamos definir esta característica como Fator R (relacionamentos). A arte dos
relacionamentos é, em grande parte, a aptidão de lidar com as emoções dos
outros.
À primeira vista, pode parecer quase um paradoxo pensarmos
em uma oportunidade de negócios tão fortemente baseada na emoção, mas no MLM —
além do nosso próprio desenvolvimento — nós temos a grande oportunidade de
contribuir para o crescimento profissional e pessoal de várias outras pessoas,
através de um modo de pensar que estimula a superação de desafios, de forma
positiva e eficaz.
Logo, a criação de relacionamentos em bases reais é
fundamental.
Os co-fatores
O desenvolvimento do Fator R de qualidade (relacionamentos
sólidos de amizade e respeito) depende, entre outros, de dois co-fatores
principais:
1. Co-fator P (Patrocínio bem feito)
Patrocinar não é simplesmente o mesmo que recrutar...
O recrutador é aquele que convence pessoas a assinarem o
contrato com uma empresa de Marketing de Rede. Ele está sempre procurando um
grande líder. Espera um dia encontrá-lo e convencê-lo a assinar o contrato.
O recrutador vende contratos e, após efetuar sua venda,
dá-se por satisfeito, saindo a procura de outros líderes em potencial.
O patrocinador, por sua vez, sabe que quando uma pessoa
assina o contrato o seu trabalho apenas começou, pois ele não espera encontrar
o “grande líder” pronto e sim ajudar na sua formação.
O patrocinador é um professor/mentor que quer treinar e
fornecer as ferramentas necessárias para formar pessoas bem sucedidas neste
negócio.
Assim, o contato do patrocinador é constante, não se
limitando a assinatura do contrato. Isto proporciona relacionamentos mais
sólidos e duradouros.
2. Co-fator C (Caráter dos envolvidos)
Marketing de Rede é uma atividade ética que, como toda
atividade humana, pode ser desenvolvida por pessoas não-éticas. Nem todos que
chegam a níveis elevados são necessariamente “boas pessoas”. E isto nos deixa
uma reflexão interessante: até que nível uma pessoa “anti-ética” pode chegar
neste negócio? Será que existe alguma triagem?
É muitas vezes visível o esvaziamento do conteúdo ético no
discurso de alguns líderes, os quais tornam-se verdadeiras armadilhas
emocionais.
Infelizmente, algumas pessoas com carisma utilizam isto para
manipular emoções e criar falsos Fatores R.
O que se torna ainda mais visível em tempos de crise dentro
do negócio — sim, o Marketing Multinível também pode ter períodos de “baixa”
(aqui podem ser citados, além das oscilações naturais, os momentos que podem
gerar uma crise aguda: saída de grandes lideranças de sua organização ou mesmo
dificuldades administrativas/financeiras da empresa).
Existência e perigos do Fator R artificial
Portanto, nem tudo que parece ser Fator R é verdadeiro. Ou
melhor: há muito Fator R falsificado no mercado!
Utilizando-se técnicas comportamentais e de
neurolingüística, não é tão difícil causar uma boa impressão. Em um único contato,
ou em um curto convívio, estas técnicas funcionam bem e podem criar uma
impressão favorável. Contudo, se não há integridade e uma preocupação real com
o bem-estar das pessoas do seu convívio, os desafios diários farão com que a
verdadeira motivação (manipulação para o lucro) venha à tona, levando o
relacionamento ao fracasso.
Então, a escolha é: devo desenvolver meu caráter de forma a
ser íntegro e humilde ou simplesmente desenvolver técnicas que levem os outros
a gostarem de mim? Ser autêntico ou manipulador? Qual é a sua escolha?
Sem essa de jogar limpo só para ser simpático. Devemos
acabar com a falsa fachada, gentileza que espera retribuições; pessoas que só
são amáveis porque querem ser consideradas amáveis e não por sentirem o impulso
interior para a amabilidade.
Alguns “líderes” chegam a pregar a desagregação familiar
como acontecimento normal — quase um pré-requisito — para se alcançar sucesso
no negócio: “você deve se afastar dos negativos”, “os ladrões de sonhos moram
na sua casa”.
É inadmissível incentivar brigas familiares e o fim de
amizades porque estas pessoas disseram “não” para o negócio.
Cresça! Para ser respeitado, respeite as opiniões alheias,
mesmo que diferentes das suas. Os relacionamentos não precisam ser quebrados,
talvez redimensionados e colocados na base da confiança e respeito. E isto deve
partir de você.
Você não deve esperar que os outros simplesmente lhe
compreendam. Mostre-lhes o seu ponto de vista e ajude-os a compreendê-lo mesmo
que esta não seja a opção deles.
Tenha mais amigos com o negócio e não simplesmente substitua
os antigos. Encontre-se com pessoas de fora do negócio. Isto enriquecerá ainda
mais a sua vida com outros pontos de vista.
É preciso equilíbrio e bom senso, principalmente, em uma das
ferramentas mais poderosas do Marketing Multinível: o Sistema de Treinamento.
Sistemas de Treinamento de qualidade equilibram a técnica e
a motivação. Sistemas de Treinamento ruins exploram em demasia o aspecto
motivacional e criam um Fator R artificial!
Faça parte de um negócio e não de um culto. Qualquer Sistema
de Treinamento que cria fanáticos é um mau Sistema de Treinamento. Marketing
Multinível não é um movimento espiritual. Há pessoas que são verdadeiras
prisioneiras. Prisioneiras do sonho.
Acredito que o negócio é para ser libertador e não para ser
uma nova prisão.
Não devemos nos viciar na crise (pensamento negativo) nem no
processo de cura (pensamento positivo).
Até parece que quanto mais sofrimento houver durante a
construção do negócio de destas pessoas, maior será a sua recompensa.
No entanto, não é assim. Acredite, o seu cheque será de
acordo com a movimentação sua e do seu grupo e não de acordo com o seu
sofrimento. Então, se houver dificuldades, tudo bem, vamos superá-las sim, mas
não fazer parecer que a dor é necessária ao sucesso.
Espera aí!!! Mas as pessoas bem sucedidas não tem tendência
a fazer grandes sacrifícios? Sim, mas isto é bem diferente de você dizer que as
pessoas que fazem grandes sacrifícios tendem a ser bem-sucedidas...
O que deve ser valorizado é a garra e não a dor. De outra
forma você pode se ver daqui a algum tempo esgotado física, emocional e
financeiramente. Além de perder a sua identidade e capacidade de pensar de
forma independente.
Não adianta ter o respeito dos outros (líderes do Sistema)
se você não tem o seu próprio respeito.
Mais do que Dinheiro
O bom relacionamento com as pessoas será conseqüência de
tratá-las bem. Paciência e compreensão são importantes. Você não fará amizades
intensas com toda sua rede (principalmente quando ela já estiver imensa), mas
as pessoas confiarão mais se você souber respeitá-las.
O Fator R é fundamental para o sucesso no MLM. No entanto,
uma pergunta é importante: estes relacionamentos, no seu caso, estão sendo
criados em cima de qual base? Interesse comercial?
Quero que você me compreenda. Não penso que você seja tão
ingênuo a ponto de pensar que não existe nenhum interesse comercial em ajudar
as pessoas da sua organização a serem bem sucedidas. É óbvio que há. O Marketing
de Rede não é uma obra assistencial, e sim uma oportunidade de negócios.
A grande diferença é que está baseada no princípio do
“ganha-ganha” e da interdependência. Você ajuda outras pessoas a terem sucesso
financeiro e isto aumenta o seu sucesso financeiro.
Você não pode colher lealdade e consideração da sua rede se
não plantou. Mais do que dinheiro, você tem que investir suas emoções.
Seu desenvolvimento no negócio não deve ser encarado somente
pelo lado financeiro, deve haver crescimento pessoal. De outra forma você
estará tratando o MLM como mais um negócio tradicional e não entenderá o que é
ajudar pessoas. Será maduro no dinheiro, mas imaturo no crescimento pessoal.
Não é possível haver transformação real da pessoa se não
houver transformação interior. Se você é um recrutador ou uma pessoa que
pretende fazer o negócio de forma impessoal (estritamente profissional, alguns
diriam), você não constrói relacionamentos.
Você se relaciona com as pessoas da sua linha ascendente e
descendente para formar uma equipe. Se você não constrói um relacionamento
pessoal forte com a sua linha descendente o que acontece? Eles olham para o
outro lado da cerca e comparam produtos pelos seus ingredientes ou empresas
pelo tempo de mercado, número de distribuidores, ou qualquer outra coisa.
Entretanto, quando você constrói relacionamentos, sua linha descendente irá
levar estes relacionamentos também em conta. E se houver um bom relacionamento
(e o negócio também for bom) você terá lealdade da sua organização.
Pense comigo: se a decisão por uma empresa de Marketing de
Rede fosse baseada única e exclusivamente em aspectos objetivos, porque haveria
tantas empresas? Só nos E.U.A. temos, hoje, mais de 5.000 empresas em
atividade, dezenas atuando nos mesmos nichos de mercado.
Há companhias que são verdadeiros “dinossauros” e que, de
outra forma, já teriam se extinguido como seus amigos répteis, pois ficam em
visível desvantagem quando compara-se os seus planos de compensação, sistemas
de distribuição e flexibilidade com algumas companhias mais novas.
No entanto, estas companhias continuam tendo excelente taxas
de vendas (e lucros). Por quê? Porque as suas lideranças entendem que este é um
negócio de relacionamentos. Não é o simples fato de um plano de compensação pagar
1% a mais, um produto ser um pouco melhor, ou o Sistema de Treinamento ter um
recurso a mais que faz a diferença.
Os relacionamentos são fundamentais, porém precisamos estar
atentos para que a criação destes relacionamentos não se torne uma armadilha
para que pessoas permaneçam no negócio durante vários anos sem nenhum
resultado. Qual é a linha divisória? A linha divisória é a honestidade: o Fator
R verdadeiro...
Denílson Braga é Farmacêutico, Empresário e Pesquisador de
MLM.
OBS: Texto adaptado da edição Nº 18 (dezembro de 1998), do
extinto Jornal Estágio 10.
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